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Casas de famílias que resistiam à demolição são derrubadas no Parque Burnier, em Juiz de Fora

Imóveis interditados no Parque Burnier após chuvas de fevereiro são demolidos As casas das famílias que resistiam à demolição de imóveis no Parque Burnier, em J...

Casas de famílias que resistiam à demolição são derrubadas no Parque Burnier, em Juiz de Fora
Casas de famílias que resistiam à demolição são derrubadas no Parque Burnier, em Juiz de Fora (Foto: Reprodução)


Imóveis interditados no Parque Burnier após chuvas de fevereiro são demolidos As casas das famílias que resistiam à demolição de imóveis no Parque Burnier, em Juiz de Fora, foram derrubadas na manhã desta sexta-feira (23). Moradores da rua Natalino José de Paula afirmam que não foram informados sobre a decisão, já que no dia anterior foi realizado acordo com a Prefeitura que evitou a ação. Alegando não ter para onde ir e o não recebimento de benefícios, como Compra Assistida e auxílio-aluguel, as famílias registraram boletim de ocorrência junto à Polícia Militar na quinta-feira (22). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Na data, a Prefeitura informou que daria continuidade ao trabalho com a demolição de outras casas do bairro, que foi o mais impactado pelas chuvas de fevereiro, onde 22 pessoas morreram. “Ontem tinham falado que não iam demolir. Mas, infelizmente, aproveitaram hoje cedo, que não tinha ninguém, e demoliram a nossa casa”, relatou uma das moradoras à TV Integração. Ela também afirma que não foi notificada pela Defesa Civil sobre a demolição. “Nós não recebemos essa notificação e, mesmo assim, eles demoliram a nossa casa sem dar nada para a gente em troca." Ainda de acordo com o relato da moradora, a família perdeu os pertences e não tem para onde ir. “Agora nós estamos de mãos atadas, perdemos tudo, não temos mais nada, e a Prefeitura não toma uma posição, não fala nada.” O g1 Zona da Mata questionou a Prefeitura sobre a decisão de demolir os dois imóveis nesta sexta e como as famílias serão assistidas. Também foram solicitados o número de casas que serão demolidos no Parque Burnier e as orientações para moradores que receberam ordem de demolição, mas ainda não receberam benefício habitacional. Conforme a Prefeitura, foram três imóveis demolidos no Parque Burnier. Durante a semana, foram outros cinco no bairro Solidariedade, um no bairro Santa Rita e um no Grajaú. Ainda segundo a Prefeitura, em parceria com o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil deu continuidade à instalação de lonas. A medida preventiva paliativa busca reduzir a infiltração da água da chuva no solo e minimizar o agravamento das condições das encostas monitoradas. Foram montadas aproximadamente 2.930 m² de lonas em encostas que foram alvo de deslizamentos. Os serviços foram executados em três pontos: na rua Sebastião Costa, no bairro Vila Alpina; na rua Artesão Antônio de Oliveira, no bairro Adolfo Vireque; e na rua Cezarino Gomes de Oliveira, no Linhares. Boletim de ocorrência cita acordo entre as partes De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, as moradoras relataram que não foram indenizadas após os deslizamentos provocados pelas chuvas. "Em razão disso, estão impedindo a continuidade dos trabalhos de demolição dos escombros remanescentes, condicionando a liberação do serviço à realização do pagamento da indenização que entendem ser devida", informa o documento. Demolição de imóveis no bairro Parque Burnier, em Juiz de Fora Letícia Damasceno/TV Integração O registro detalha que os policiais que atenderam à ocorrência na quinta-feira realizaram contato com o engenheiro responsável pelas demolições, que "orientou as moradoras quanto aos riscos de desabamento existentes no local " e alertou "sobre a necessidade de permanecerem fora da área devidamente delimitada, em razão do perigo à integridade física". O documento cita o acordo realizado. "As partes entraram em acordo, sendo relatado que, na data de hoje (22), a casa não seria demolida e que as partes entrariam em contato com a Prefeitura de Juiz de Fora para tentar a resolução." Compra Assistida: Caixa apura o caso À TV Integração, a Caixa Econômica Federal, responsável pelo programa Compra Assistida, informou apenas que "está apurando o caso". Em resposta ao g1 Zona da Mata, o Ministério das Cidades destacou que 1.590 famílias de Juiz de Fora estão aptas ao atendimento ou já foram atendidas pelo programa. Desse total, 1.298 permanecem elegíveis para buscar imóveis. "Neste momento, cabe às famílias elegíveis procurar e indicar os imóveis que desejam adquirir. Essa busca tem ocorrido com mobilização e apoio das prefeituras e suporte técnico da Caixa. As famílias também podem pesquisar imóveis por conta própria ou recorrer aos correspondentes da instituição para ajudar na prospecção", destaca o Ministério das Cidades. Imóveis atingidos pela chuvas foram demolidos no Parque Burnier, em Juiz de Fora Letícia Damasceno/TV Integração Como funciona o programa Compra Assistida O Compra Assistida atende famílias de Juiz de Fora e Ubá cuja moradia, própria ou alugada, foi destruída ou interditada definitivamente pelas chuvas, nas faixas de renda Urbano 1 e 2. O subsídio é integral, sem contrapartida financeira da família, e limitado a R$ 200 mil e ao menor valor entre o preço de venda e a avaliação do imóvel, como explica o Ministério das Cidades. "O imóvel pode ser novo ou usado, localizado em Minas Gerais, em área não condenada pela Defesa Civil municipal e em condições de habitabilidade. Também precisa ter matrícula no registro de imóveis, estar livre de ônus, ter regularidade urbanística e de edificação e passar pela análise de engenharia e de conformidade documental da Caixa. O contrato prevê cláusula de inalienabilidade por 60 meses." *estagiária sob supervisão da editora Gracielle Nocelli LEIA TAMBÉM: Moradores resistem à demolição de imóveis no Parque Burnier, onde 22 pessoas morreram durante as chuvas Oito meses após chuvas, morador de Juiz de Fora tenta recuperar carro que ficou entre escombros Chuva deixa mortos e milhares de desabrigados em Juiz de Fora e Ubá VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata